"Quê?" (trailer de Polanski)

Friday, January 23, 2009

MODOS DE AMAR


Modo de amar – I

Lambe-me os seios
desmancha-me a loucura

usa-me as coxas
devasta-me o umbigo

abre-me as pernas
põe-nas nos teus ombros

e lentamente faz o que te digo:

Essa aqui é uma palavrinha mágica (daquelas que levanta defunto) de uma série de 15 textículos intitulados Modo de Amar, de uma colega das letras - Maria Tereza Horta - que vocês podem acompanhar na íntegra postados aqui no blog (?) do também amigo das letras Carlos Seabra.


Caros amigos, leitores,e afins, deleitem-se com o que escorre dessas palavas...

Saturday, January 17, 2009

Meretrício (ou, as Conexões Cerebrais...)


Guia prático advindo do início do século passado para passar horas ganhando ... bem. Decida-se sobre o que quer de verdade após ler o texto.

A MERETRIZ

A rua dos destinos desgraçados
Faz medo. O Vício estruge. Ouvem-se os brados
Da danação carnal... Lúbrica, à lua,
Na sodomia das mais negras bodas
Desarticula-se, em coréas doudas,
Uma mulher completamente nua!

É a meretriz que, de cabelos ruivos,
Bramando, ébria e lasciva, hórridos uivos
Na mesma esteira pública, recebe,
Entre farraparias e esplendores.
O eretismo das classes superiores
E o orgasmo bastardíssimo da plebe!

É ela que, aliando, à luz do olhar protervo,
O indumento vilíssimo do servo
Ao brilho da augustal toga pretexta,
Sente, alta noite, em contorções sombrias,
Na vacuidade das entranhas frias
O esgotamento intrínseco da besta!

E ela que, hirta, a arquivar credos desfeitos,
Com as mãos chagadas, espremendo os peitos,
Reduzidos, por fim, a âmbulas moles,
Sofre em cada molécula a angústia alta
De haver secado, como o estepe, à falta
Da água criadora que alimenta as proles!

É ela que, arremessada sobre o rude
'Despenhadeiro da decrepitude,
Na vizinhança aziaga dos ossuários
Representa, através os meus sentidos,
A escuridão dos gineceus falidos
E a desgraça de todos os ovários!

Irrita-se-lhe a carne á meia-noite.
Espicaça-a a ignomínia, excita-a o açoite
Do incêndio que lhe inflama a língua espúria.

E a mulher, funcionária dos instintos,
Com a roupa amarfanhada e os beiços tintos,
Gane instintivamente de luxúria!

Navio para o qual todos os portos
Estão fechados, urna de ovos mortos,
Chão de onde unia só planta não rebenta,
Ei-la, de bruços, bêbeda de gozo
Saciando o geotropismo pavoroso
De unir o corpo à terra famulenta!

Nesse espolinhamento repugnante
O esqueleto irritado da bacante
Estrala... Lembra o ruído harto azorrague
A vergastar ásperos dorsos grossos.
E é aterradora essa alegria de ossos
Pedindo ao sensualismo que os esmague!

É o pseudo-regozijo dos eunucos
Por natureza, dos que são caducos
Desde que a Mâe-Comum lhes deu início...
E a dor profunda da incapacidade
Que, pela própria hereditariedade
A lei da seleção disfarça em Vício!

É o júbilo aparente da alma quase
A eclipsar-se, no horror da ocídua fase
Esterilizadora de órgãos... É o hino
Da matéria incapaz, filha do inferno,
Pagando com volúpia o crime eterno
De não ter sido fiel ao seu destino!

E o Desespero que se faz bramido
De anelo animalíssimo incontido,
Mais que a vaga incoercível na água oceânea...
E a Carne que, já morta essencialmente,
Para a Finalidade Transcendente
Gera o prodígio anímico da Insânia!

Nas frias antecâmaras do Nada
O fantasma da fêmea castigada,
Passa agora ao clarão da lua acesa
E é seu corpo expiatório, alvo e desnudo
A síntese eucarística de tudo
Que não se realizou na Natureza!

Antigamente, aos tácitos apelos
Das suas carnes e dos seus cabelos,
Na óptica abreviatura de um reflexo,
Fulgia, em cada humana nebulosa,
Toda a sensualidade tempestuosa
Dos apetites bárbaros do Sexo!

O atavismo das raças sibaritas,
Criando concupiscências infinitas
Como eviterno lobo insatisfeito;
Na homofagia hedionda que o consome,
Vinha saciar a milenária fome
Dentro das abundâncias do seu leito!

Toda a libidinagem dos mormaços
Americanos fluía-lhe dos braços,
Irradiava-se-lhe, hírcica, das veias
E em torrencialidades quentes e úmidas,
Gorda a escorrer-lhe das artérias túmidas
Lembrava um transbordar de ânforas cheias.

A hora da morte acende-lhe o intelecto
E à úmida habitação do vício abjecto
Afluem milhões de sóis, rubros, radiando...
Resíduos memoriais tornam-se luzes
Fazem-se idéias e ela vê as cruzes
Do seu martirológio miserando!

Inícios atrofiados de ética, ânsia
De perfeição, sonhos de culminância,
Libertos da ancestral modorra calma,
Saem da infância embrionária e erguem-se, adultos,
Lançando a sombra horrível dos seus vultos
Sobre a noite fechada daquela alma!

É o sublevantamento coletivo
De um mundo inteiro que aparece vivo,
Numa cenografia de diorama,
Que, momentaneamente luz fecunda,
Brilha na prostituta moribunda
Como a fosforescência sobre a lama!

É a visita alarmante do que outrora
Na abundância prospérrima da aurora,
Pudera progredir, talvez, decerto,
Mas que, adstrito a inferior plasma inconsútil,
Ficou rolando, como aborto inútil,
Como o ....... do deserto!

Vede! A prostituição ofídia aziaga
Cujo tóxico instila a infâmia, e a estraga
Na delinqüência ....... impune,
Agarrou-se-lhe aos seios impudicos
Como o abraço mortífero do Ficus
Sugando a seiva da árvore a que se une!
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Enroscou-se-lhe aos abraços com tal gosto,
Mordeu-lhe a boca e o rosto...
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Ser meretriz depois do túmulo! A alma
Roubada a hirta quietude da urbe calma
Onde se extinguem todos os escolhos:
E, condenada, ao trágico ditame,
Oferecer-se à bicharia infame
Com a terra do sepulcro a encher-lhe os olhos!

Sentir a língua aluir-se-lhe na boca
E com a cabeça sem cabelos, oca...
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Na horrorosa avulsão da forma nívea
Dizer ainda palavras de lascívia...
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Esse texto é de um sujeito que se envolveu tanto com a arte que morreu de pneumonia. Ou quase. Famigerado, superestimado, mas pouco influente na arte de resolver esse problema recessivo de se safar.

Bem, podia desvelar aqui a nada longa história da trajetória desse louco virtuoso, mas o texto já é longo. Os amigos que, se quiserem, sigam o fio desta meada.

Saturday, January 10, 2009

Palavras que se rep(fl)etem

The Tyger
By William Blake

Tyger! Tyger! burning bright,
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire in thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder, and what art?
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand, and what dread feet?

What the hammer? What the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb, make thee?

Tyger! Tyger! burning bright,
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?
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O TYGRE

Tradução: Augusto de Campos

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?

Em que céu se foi forjar
o fogo do teu olhar?
Em que asas veio a chamma?
Que mão colheu esta flamma?

Que força fez retorcer
em nervos todo o teu ser?
E o som do teu coração
de aço, que cor, que ação?

Teu cérebro, quem o malha?
Que martelo? Que fornalha
o moldou? Que mão, que garra
seu terror mortal amarra?

Quando as lanças das estrelas
cortaram os céus, ao vê-las,
quem as fez sorriu talvez?
Quem fez a ovelha te fez?

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?

[CAMPOS, Augusto - "O Tygre"
In: Viva Vaia (Poesia 1949-1979)
Livraria Duas Cidades, São Paulo, 1979]

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O TYGRE

Tradução: José Paulo Paes

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas atreveu ao vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?

Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?

Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-te os horrores mortais?

Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal ousaria
Traçar-te a horrível simetria?


[PAES, José Paulo - "O Tygre"
In:Gregos & Baianos - Ensaios
Ed. Brasiliense, São Paulo, 1985]

Um pouco de cultura estrangeira...

William Blake nasceu em 28 de Novembro de 1757 sendo ele o terceiro filho de uma família de cinco filhos de um vendedor de Londres. Por causa da profissão relativamente clásse média de seu pai, Blake foi criado no memso estado de miséria que ele experimentou durante todo o resto de sua vida.

Quando criança ele já havia tomado gosto pela pintura e acabou sendo mandado pra escola de desenho, afinal. O jovem Willian somente a educação suficiente para aprender a ler e escrever para trabalhar na loja de seu pai.

Apesar de Blake ter recebido muito pouco de uma educação traducional ele era bem versado em literatura grega e latina, na Bíblia e em Milton.

Friday, January 09, 2009

Homens e hormônios... quem é o sexo frágil agora?


Mais uma vez xeretando e palpitando sobre as palavras dos outros... respondo o que não me foi perguntado: Porque a maioris dos homens prefere sexo matinal?

Ou como se disse no blog da amiga Atre numa postagem dela própria sob o título "10 coisas que TODA mulher precisa saber sobre os homens NA CAMA". No item de número sexto vemos:
6. Dar a ele um bom início de dia

Daí questiono eu:

Sabem porque a maioria dos homens está predisposta a achar isso de sexo no início do
dia ótimo?

Opções:
(a) porque eles tem idéias realmente mágicas, as vezes, quase adivinham o que a mulher está desejando - que nem aquele sapato de couro de cobra caríssimo que viram no shpping noutro dia.

(b) porque como homem não vive sem sexo, é maníaco mesmo, eles precisam de um pouco (?) de sexo no início do dia só pra saber que ainda está vivo.

(c) porque ele adora pensar que se ele fosse mulher adoraria dar logo de manhãzinha, só pra pode ficar com a sensação de ser comida por uma tora o dia in-tei-ri-nho!(E acha que tudo vai de acordo com a cabeça insana dele!)

(d) porque homeme é igual a menino, não pode ver nada que já diz que tá querendo - até mesmo sem saber do que se trata (se for a gostosa da vizinha então...hmm...!) - e como a mulher é a primeira "coisa" que ele vê ao acordar...sobra pra pobrezinha...!

(e) n.d.a.



Quem optou pela DIFÍCIL escolha da letra (e) acertou! Mas sabe o real motivo?

Entre algum outro motivo excuso produto da mente masculina está o fato de haver uma alta no "estoque" hormonal masculino pela manhã...(ou pelo menos é nisso que querem que a gente acredite...)

Joguinho rápido de palavras na net para os que deixei curiosos - ou, em outras palavras, algumas respostas mais extensivas e esclarecedoras:

1 - Até a Marie Claire já sabia disso...


2 - Peço licença ao companheiro blogger Bráulio Wanderley que postou este aqui: em seu Blog História Vermelha


E para os machistas desesperados por informação mas que nunca iriam perguntar - outros detalhes da conduta sexual/hormonal masculina ...

3 - Sobre a fertilidade (ou infertilidade) masculina

4 - http://www.animalbombado.com/musculacao-variado/terapia-reposicao-hormonal.html


...mas tem da feminina também!

5 - E finalmente uma autoridade aqui: A palavra da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana

Uma salva de palmas e um viva à hipófise!